No âmbito do Dia Mundial de Chagas, a Iniciativa Ibero-Americana “Nenhum Bebê com Chagas” compartilha uma experiência que mostra como o trabalho articulado entre comunidades e sistemas de saúde pode fazer a diferença na prevenção da transmissão materno-infantil.
Nas comunidades rurais do leste da Guatemala, muitas mulheres vivenciam a gravidez acompanhadas por parteiras. Reconhecidas e legitimadas por suas comunidades, essas mulheres articulam saberes tradicionais com práticas do sistema de saúde e desempenham um papel fundamental no cuidado da gestação, do parto e do pós-parto.
Sua proximidade, a confiança que geram e sua presença constante no território as tornam um ator estratégico para abordar doenças como o Chagas, que pode ser transmitido de mãe para filho durante a gravidez. Apesar de essa transmissão ser evitável e tratável, o diagnóstico oportuno ainda é um desafio na região.
Fortalecer o que já existe
O Projeto Parteiras busca potencializar o trabalho que elas já realizam, oferecendo ferramentas para identificar riscos, acompanhar mulheres grávidas e facilitar o acesso aos serviços de saúde.
Esta iniciativa é implementada junto ao Ministério da Saúde Pública e Assistência Social da Guatemala, com o apoio técnico da Organização Pan-Americana da Saúde e a coordenação da Fundação Mundo Sano como Unidade Técnica, no âmbito da Iniciativa impulsionada pela Secretaria-Geral Ibero-Americana. O projeto é desenvolvido em departamentos como Jutiapa, Chiquimula e Jalapa, onde as parteiras acompanham de perto as mulheres durante a gravidez.
A partir desse vínculo, o projeto fortalece suas capacidades para reconhecer sinais de alerta, promover exames pré-natais e acompanhar as mulheres no acesso ao diagnóstico e tratamento oportuno de doenças de transmissão vertical. Para isso, foram co-criados materiais pedagógicos com pertinência cultural, incorporando recursos visuais que facilitam a comunicação em contextos onde predominam a oralidade e o visual.
Detectar a tempo para cuidar melhor
Uma das principais contribuições do projeto é integrar o enfrentamento do Chagas dentro da atenção materno-infantil, juntamente com outras infecções, como HIV, sífilis ou hepatite B e C, avançando para uma resposta mais integral e centrada nas pessoas. A gravidez torna-se assim uma oportunidade não só para o diagnóstico da mulher, mas também do entorno familiar.
Essa abordagem está inserida na estratégia ETMI Plus, que promove a eliminação da transmissão vertical por meio do diagnóstico oportuno, acesso ao tratamento e fortalecimento do primeiro nível de atenção.
Nesse processo, as parteiras desempenham um papel fundamental, pois identificam situações de risco nos lares e acompanham as mulheres aos serviços de saúde. Por meio de instâncias de formação em serviço, o projeto fortalece essas capacidades e facilita a incorporação prática de novos conhecimentos em seu trabalho cotidiano.
Cooperação que se traduz em ação
O Projeto Parteiras faz parte da Iniciativa Ibero-Americana “Nenhum Bebê com Chagas”, uma plataforma de cooperação que reúne nove países ibero-americanos com o objetivo de eliminar a transmissão materno-infantil da doença até 2030.
A experiência na Guatemala, resultado de anos de trabalho conjunto, permite gerar aprendizados e ferramentas que podem ser adaptados a outros contextos da região, especialmente onde o primeiro nível de atenção se apoia em atores comunitários.
Nesse sentido, mostra como a cooperação regional pode se traduzir em ações concretas que fortalecem os sistemas de saúde e melhoram o acesso ao diagnóstico e tratamento.